Neblina
#006 – O turvo no meio do clichê
Acho que fui meio grossa naquela situação.
Preciso levar o envelope ao correio.
O que minha mãe pediu para eu fazer, mesmo?
Será que ele não gostou do que eu falei?
Uhm, vi que ia chover e esqueci de tirar a roupa do varal.
O burburinho interno é intenso. Ignoro e ouço o que acontece fora.
“Você é muito fechada.”
“Mas por que você escolheu isso?”
“Fui tão mal nisso. E você?”
“Cara, isso é incrivelmente chato, né?”
“Mas onde você tá trabalhando?”
Um emaranhado confuso. Vejo nada. Ao seguir adiante, trombo em algo. O quê? Não sei. Viro para o outro lado, mais um obstáculo. Uma voz: “Não olha por onde anda?” Não. Ando para sair da turbulência. A cada empecilho, mudo de direção; uso as mãos para me guiar.
Será que faltou algo?
“Beltrana é muito chata!”
Preciso levar o envelope ao correio.
“Você viu só o que Sicrana tá fazendo?”
O que minha mãe pediu para eu fazer, mesmo?
Nesta direção, parece que o zum-zum-zum diminui. Vou por aqui. Enxergo um pouco melhor, desvio das barreiras.
Preciso levar o envelope ao correio.
“Não acredito o que aconteceu com Fulana!”
Um comenta: “Como é PÉSSIMO aqui, não dá para ver NADA!”
Logo ali clareia mais ainda.
Preciso levar o envelope ao correio.
Chego na calmaria.
Ufa!
Aqui fora, um sente paz, e outro, o peso das memórias:
“Lá era muito ruim.”
— Aqui não é melhor?
“Eu detestava estar lá.”
— Você saiu.
“Lá era simplesmente horrível.”
— Ok.
💡 Fun fact: este texto par de “Caminhos"
Chegamos ao final de mais uma edição! Gostaria de saber o que você achou!
Conhece alguém que também possa gostar desta leitura?
Nos vemos mês que vem,
Oona 🖋️✨

